A Avó e a Neve Russa, de João Reis

«Na cozinha, fico junto ao fogão enquanto a água aquece dentro da chaleira. Quero ficar aqui por uns minutos, sem ter de ver a cara da Babushka tornar-se vermelha e depois azul, ao tossir, sem que eu possa fazer nada.» Este é o retrato do quotidiano de um menino de dez anos — protagonista e narrador desta história —, o neto mais novo de uma idosa russa, emigrante no Canadá, vítima dos ventos atómicos que inspirou aquando do acidente nuclear ocorrido em Chernobyl. Porém — a palavra que este menino não se cansa de utilizar —, não conformado com a doença da avó, o nosso protagonista parte em busca de algo, algures no México, que possa curá-la, salvar a sua família, e evitar ser enviado para um orfanato e separado do seu irmão mais velho de dezoito anos, Andrei, que se refugia numa névoa de fumo ao som de música alta. Partindo de uma premissa simples, ainda que o cenário apresentado ao leitor não deixe de ser dramático e complexo...