Laços, de Domenico Starnone
«Decidi ser honesto: acho que não te ensinei, aprendeste sozinho, observando-me. E, a partir daquele momento, senti-me culpado como nunca me acontecera.» Estas são as palavras de Aldo perante um pequeno gesto do quotidiano, que o atinge de forma atroz… serão o eco de um profundo arrependimento? Sempre narrado na primeira pessoa do singular, a obra divide-se em três secções: na primeira, conhecemos a perspetiva de Vanda, através das cartas que escreve ao seu marido; na segunda parte, é a vez de Aldo (o marido) contar a sua versão dos factos — é aqui que presente e passado se entrelaçam, em que nos apercebemos de como as mágoas de uma crise conjugal ainda persistem nas atitudes diárias de cada um dos elementos do casal; por fim, na terceira e última parte, descobrimos como a manutenção de um casamento fragilizado por feridas que nunca chegaram a cicatrizar teve um impacto nefasto na vida dos dois filhos do casal — é Anna (a filha mais nova de Vanda e Aldo) que dá voz a este r...