O Atelier de Noite, de Ana Teresa Pereira

«Por vezes é assim que penso naqueles onze dias. A última vez que fui bonita.» Em dezembro de 1926, Agatha Christie esteve desaparecida durante onze dias; é este acontecimento na vida da escritora de livros policiais — e criadora do famoso detetive Hercule Poirot — que dá o mote ao primeiro conto (de dois) presente nesta obra de Ana Teresa Pereira. «Vivia algures entre a consciência e outra coisa sem nome. Estranhas intuições, estranhas proximidades.» Narrado na primeira pessoa, a protagonista assume outra identidade ou, como a própria diz: «Acordava de manhã e não encontrava Agatha dentro de mim.» No hotel em Harrogate, onde se aloja, apresenta-se como Teresa Neele, uma «homenagem» ao nome da amante do marido, Archie; a descoberta deste caso é apontada como uma das possíveis razões para a sua fuga: «Recriei tantas vezes o que acontecera entre mim e Archie e Nancy Neele. (...) Se continuar a escrever a história, uma e outra vez, talvez um dia fique tudo certo.» Esta é uma leitura...