Limpa, de Alia Trabucco Zerán
QUANDO A EMPREGADA-NARRADORA NOS CONVOCA PARA INTEGRAR A SUA HISTÓRIA «Não se enganem: eu nunca tive fantasias. A realidade e a irrealidade são como o morto e o vivo, como o que importa e o que não importa, mas falar-vos-ei disso mais tarde.» Uma narrativa contada em círculos, pois «esta história», segundo Estela, a empregada interna numa casa abastada em Santiago do Chile, e narradora-protagonista deste romance, «tem vários inícios». Todos os detalhes, incluindo aqueles que parecem mais insignificantes, importam para se compreender o desfecho trágico, que se conhece logo nas primeiras páginas. Durante sete anos, Estela cuida da casa da senhora Mara López, advogada, e do senhor Juan Jensen, médico, e também da filha de ambos, Julia, de quem toma conta desde o seu nascimento. A harmonia que reina naquele lar compõe-se de aparências: da senhora e da sua falsa simpatia; do senhor e da sua altivez e despudor; da menina, que é obsessiva, mimada e simultaneamente negligenciada....